Respirar para inalar – Aromaterapia durante a prática do yoga
Postado às 21:05 do dia 09/10/09
Olá, Namaste.
Neste post, quero falar sobre algo muito especial para mim: a aromaterapia. Na minha experiência pessoal, o yoga e a aromaterapia vieram juntos; foi numa de minhas primeiras aulas quando o professor me fez relaxar em savasana colocando um lenço de papel com óleo essencial em cima de meu rosto. Faz 8 anos e, hoje, sou eu quem coloco o lenço de papel sobre a face de meus alunos e estendo o uso da aromaterapia para outros momentos da aula de yoga, seja aromatizando a sala ou tratanto uma dor de cabeça com óleo essencial em sethu bandha sarvangasana.
Nas práticas de Yoga Restaurativo, que comecei a dar às quartas-feiras, o papel da aromaterapia é preponderente. Na verdade, tive vontade de criar este horário mais para poder levar os óleos essenciais aos alunos do que propriamente as posturas restaurativas do Iyengar Yoga, que podem ser feitas em todas as demais aulas.
Nos passeios que já fizemos a São Luiz do Purunã, tivemos a chance de mostrar aos alunos o uso da aromaterapia com os respiratórios, com o yoganidra e com a meditação, mas usar o óleos essenciais associados às posturas demanda uma aula especial e esta aula de yoga restaurativo servirá justamente para isso.
Bem, como disse, neste post falo novamente sobre o uso da aromaterapia durante a prática do yoga. Espero que goste do texto. Neste ano, estarei ministrando o curso de Yoga e Aromaterapia novamente e em breve poderei divulgar as datas para você participar.
Um super beijo, Mayra.
Respirar para Inalar – Aromaterapia Durante a Prática do Yoga
por Mayra Corrêa e Castro Durante toda a prática de yoga, respiramos. Se você não é praticante, pode achar esta afirmação de uma obviedade simplória; porém, se pratica, sabe como é possível esquecer de respirar durante um asana mais difícil ou deixar a respiração ficar fora de ritmo durante uma permanência mais exigente.
Respirar – conscientemente – é o cerne do yoga, aquilo que faz o praticante estar conectado ao presente e aos benefícios da prática.
Na aromaterapia é diferente – respira-se, mas não é necessário estar consciente. Como os óleos essenciais alcançam o sistema límbico e a corrente sanguínea independentemente de você estar percebendo, respirar um aroma – ou, melhor dizendo, inalar um aroma e obter seus benefícios pouco depende de sua vontade: basta soltar o aroma no ar e deixar a natureza agir.
Órgãos sensitivos são diferentes de órgãos motores. Boa parte da prática do yoga é um ato volitivo. Fazemos assim, ajustamos assado, direcionamos para cá, reposicionamos para lá. A prática da aromaterapia nem ato é; tem mais a ver com estar sujeito, estar entregue a uma sabedoria que se dá por conta própria.Apesar de terem suas particularidades, ambos, yoga e aromaterapia, partem do respirar e, por isso, parece natural uni-los numa prática: a prática do yoga com aromaterapia.
O primeiro contato do praticante com a aromaterapia pode ser através da aromatização da sala de prática com óleos essenciais. Botânicos, puros, completamente naturais, eles substituem com vantagens os incensos e ainda existem numa gama de aromas muito mais ampla que estes. Podem imprimir ao ambiente de prática aquilo que o professor quer enfocar na aula: alguma parte do corpo, alguma qualidade do corpo ou da mente, uma sensação, um sankalpa ou um chakra.
Assim, imagine imprimir na sala aromas terrosos antes das posturas de grounding ou notas arbóreas durante uma prática restaurativa. Pense na vitalidade dos cítricos para o desenvolvimento das hiperextensões ou na sutileza dos florais durante um prática carregada de flexões para frente. Isso falando apenas no impacto da aromaterapia para a prática dos asanas.
A primeira impressão de um óleo essencial é marcante. Mas esta primeira impressão não serve apenas para tornar a prática do yoga mais agradável. Como dito, os óleos essenciais agem diretamente sobre o sistema límbico, e, por isso, acabam direcionando a mente, espontaneamente, a determinados padrões que, conscientemente, o praticante estará buscando através de uma postura ou da meditação. É como se o aroma inalado desse um empurrãozinho no objetivo que o praticante quer alcançar quando se põe sobre o mat.Já o segundo contato do praticante com o óleo essencial pode ser mais profundo. É quando a experiência da aromaterapia se torna individualizada e sua ação é mais próxima às narinas. Numa aula, seja durante um exercício respiratório, seja durante o savasana ou durante a meditação, o óleo escolhido é pingado num lenço de papel que é posto à frente das narinas ou sobre o rosto ou ainda, dependendo de sua toxidade, é passado diretamente na pele da pessoa.Isso pode ser feito, por exemplo, com óleos herbáceos para se abrir as vias respiratórias antes da prática de pranayamas. Mas desobstruir as narinas é o mínimo que os óleos essenciais podem fazer. Seu melhor potencial é explorado, possivelmente, durante o yoga nidra. Alcançar o relaxamento físico, emocional e mental é muito mais fácil quando se está inalando o óleo essencial correto.
Além disso, considerando-se que o yoga nidra, tal como sistematizado por Swami Satyananda, tem como objetivo último a transformação do ser, aproveitar o potencial psicoterapêutico dos óleos essenciais é jogar uma informação na mente subconsciente que pode ser recuperada conscientemente a qualquer momento para reforçar a mudança da personalidade e a conexão com o Ser espiritual.
Pela aromaterapia, além de se tratarem distúrbios físicos, são tratados vários distúrbios de origem psíquica, sobretudo aqueles relacionados à tensão. Se é difícil levar um praticante ao yoga nidra apenas com as sugestões auditivas, é muito mais rápido levá-lo a este estágio de consciência profunda acessando também o canal olfativo. O olfato é primitivo e as sensações que desperta não passam pelo crivo da mente racional. Se a idéia é imprimir uma informação na mente subconsciente sem passá-la pelo intelecto, os óleos essenciais se prestam maravilhosamente a este fim.
A aromaterapia serve a múltiplas finalidades e seu potencial terapêutico, bem como o do yoga, é imenso. Uni-los parece ser a maneira de juntar uma das melhores técnicas para o desenvolvimento do Ser com a melhor técnica para a recuperação de quem é, em essência, este Ser. No óleo essencial de uma planta vibra sua energia vital, tal como vibra, na essência do yoga, a missão de misturar-se a esta energia.
4 Comentários / Aromaterapia, Terapias Naturais, Textos e Artigos, Yoga










GOTARIA DE TER MAIS IMFORMÇAO SOBRE YOGA ESE AJUDA NO TRATAMENTO DE ASMA
Olá, Lucia. Em resposta ao seu comentário, tenho a dizer que ajuda, sim, bastante na asma. A coisa mais curiosa a respeito da asma é que, embora o asmático tenha dificuldade para obter ar, esta dificuldade foi em parte desenvolvida por uma incapacidade de exalar apropriadamente, causando, por efeito acumulativo, um, digamos assim, “intoxicação” dos alvéolos. Como no yoga ensinamos a respirar e damos bastante ênfase na expiração, a prática traz benefícios ao asmático. Além disso, as posturas promovem uma oxigenação de todo o tecido do corpo e também ampliam a caixa toráxica, além de promoverem a drenagem do sangue venoso das vísceras, auxiliando o sistema circulatório a se purificar, mas também o linfático. O yoga também promove relaxamento do sistema nervoso, fundamental para se espassar as crises de asmas. Só vejo benefícios em se complementar o tratamento convencional da asma com o yoga, mas certamente não recomendo que o tratamento convencional seja suprimido ou diminuído sem o acompanhamento estrito de seu médico. Se quiser, venha aqui fazer uma aula experimental para conversarmos melhor. Há outroas altermativas complementares também ao tratamento, dentro da alimentação e da aromaterapia. Quero também agradecer pela visita em meu blog. Um abraço, Mayra.
[...] Já escrevi sobre as potencialidades do uso dos óleos essenciais numa prática de yoga, tenho um curso sobre o assunto, e fiz uma experiência de trabalhar aulas em grupo de yoga restaurativo com os óleos essenciais. A conclusão a que chego é que o melhor momento para se usar óleos essenciais numa aula de yoga é mesmo durante o yoga nidra. Para identificar o yoga nidra feito com aromaterapia, cunhei uma palavrinha nova - hábito de linguista, me perdoe -, chamada aromanidra. [...]
Boa tarde pessoal!
Meus parabéns ao autor deste maravilhoso artigo!
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Abraços